Para entender o Direito de Família - Filme "Do Começo ao Fim": Homoafetividade, incesto e famílias recompostas.

Por indicação de uma aluna, comprei e assisti “Do começo ao Fim”, filme brasileiro de 2009, dirigido por Aluízio Abranches, com a promessa de ser um filme que enfrentou temas relativos ao moderno Direito de Família, como homoafetividade, incesto e famílias recompostas. Com esse rol de intrincadas questões, esperei encontrar um bom motivo de estudos para a problemática familiarista.

Com Julia Lemertz e Fabio Assunção no elenco, e com uma temática tão polêmica, imaginei que teria uma ótima oportunidade de analisar o Direito de Família através do cinema. Entretanto, minha expectativa foi em vão! Logo no início, o roteiro se mostrou frágil demais e com um único objetivo: narrar um amor entre dois homens, irmãos unilaterais. Poucas cenas depois do início, os principais atores somem do enredo, e o que se passa a ver são imagens cansativas, desnecessárias e muito pouco reais.

Não restam dúvidas da existência de situações complexas, polêmicas e tão intrincadas na realidade da organização das famílias no Brasil. Mas fazer uma abordagem superficial da questão dificulta o aprofundamento nos temas. Notadamente, a doutrina de Direito de Família no nosso país reúne relatos de casos parecidos, que se fortalecem com a jurisprudência sobre o tema. A principal falha do filme parece ter sido deixar de mostrar a problemática social enfrentada pelas pessoas que decidem encarar esses dilemas.

Como curioso do Direito de Família, esperei que essas questões fossem analisadas num viés realista, e não romantizado. Se até o cinema, que tem como uma de suas atribuições trazer uma nova ótica aos dilemas vividos no seio da sociedade, foge da questão, sem querer enfrentá-la, como esperar a construção de uma cultura efetivamente crítica e tolerante? No final, ficou a sensação de que estes problemas estão mesmo muito, muito longe de serem resolvidos na nossa sociedade. E uma interpretação nada convincente para os problemas apresentados.

0 comentários:

Postar um comentário