Tentando superar minhas "brechas de formação": As tragédias Gregas

Uma das muitas coisas que tenho aprendido com os anos de sala de aula, é a importância de reconhecer nossas “falhas de formação”, ou seja, brechas na nossa história acadêmica/de instrução que deixou passar alguns livros, obras, estudos que são imprescindíveis para quem deseja ser um bom profissional na sua área.

No meu caso específico, como advogado e professor de Direito de Família, além das “falhas” de formação específica nos livros jurídicos, cobro-me e me ressinto de não conseguir ler tantas outras obras que julgo fundamentais para uma visão, no mínimo, humanista e global do que se poderia chamar de “aprendizado intelectual”.

É bem verdade que o tempo é o maior inimigo do homem na pós-modernidade, e nossas mil atribuições diárias nos impelem a ter que matar um punhado de leões por dia, e quem disse que sobra tempo para ler, assistir, ouvir, etc??? Sem falar que a “angústia” só aumenta diante da gigantesca produção que continua sendo colocada no mercado a cada dia. Então temos o problema completo: ler e acompanhar o que sai (pra não ficar desatualizado) e tentar suprir essas lacunas... e na “guerra” entre as publicações de nossa área e as de cultura geral, os livros técnicos tem ganhado de goleada. Eis o homem pós-moderno e um dos seus muitos dilemas.

Mas aproveitei, como sempre faço, o período curto de recesso de aulas nas faculdades e no preparatório da OAB para tentar colocar um mínimo de leituras em dia. Assim, comecei por uma dessas obras da minhas “lista negra” de pendências intelectuais: as tragédias gregas.

Li “Édipo Rei” de Sófocles, “Prometeu Acorrentado” de Ésquilo, e Medéia de Eurípedes. Foi uma leitura maravilhosa. Lembrei-me de quando havia lido, ainda nos tempos de faculdade, a obra de Shakespere, e adorei. Imaginava uma leitura cansativa e aborrecida, e encontrei textos atuais e dinâmicos, mesmo tendo sido escritos há vários séculos. Dos três, o que mais me impressionou foi Édipo rei, pela beleza da construção do roteiro da peça, bem como me deixou impressionado o texto que influenciou tanto Freud na elaboração do seu “complexo de Édipo”, um dos pilares e sua teoria da psicanálise.

Recomendo a todos que façam o mesmo: sempre que puderem, elejam suas “prioridades” de leitura e informação e, comecem. Não adianta colocar a culpa de nossas brechas de formação em escolas ou professores que não voltam mais. Então não tem jeito: é começar. Minha lista de lacunas de formação é tão grande que penso mesmo que eu sequer tenho uma “formação” propriamente dita. Mas quem sabe um dia consigo chegar lá.

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