"Lampião, Rei do Cangaço" - filme de 1964

Chegou em minhas mãos mais um filme sobre o cangaço. Na verdade acho que já vi mais de uma dúzia deles, e tenho formado uma mini coleção sobre o assunto, com livros, filmes e documentários. O tema me desperta sincero interesse, como já tive oportunidade de publicar nesse Blog há algum tempo.

Dessa vez, assisti “lampião, Rei do Cangaço”, filme antigo do ano de 1964, um misto de faroeste com cinema novo. Algo como a expressão de Renato Russo para uma de suas mais famosas musicas: “faroeste caboclo”.

Nessa filmagem, do mesmo diretor de “O pagador de promessas”, e tendo Leonardo Villar como protagonista na figura de lampião, retrata-se de modo muito interessante sua trajetória no cangaço, desde o começo de sua luta armada pelos sertões, até sua morte em Angicos.

O detalhe que mais me chamou a atenção nesse filme foi a maneira simples (e que deve ter sido muito próxima do que aconteceu na realidade) e real do amor entre Lampião e sua companheira Maria Quitéria, que recebeu a alcunha que lhe legou a condição de lenda no nordeste: Maria Bonita. A partir do momento em que as mulheres passaram a acompanhar o bando, com destaque para Maria Bonita e Enedina (se não me falha a memória, mulher de Corisco), o cangaço ficou ainda mais heróico para o povo nordestino, e Virgulino Lampião passou de ídolo para figura folclórica ímpar, símbolo da resistência e da virilidade do povo nordestino.

Neste filme, a trajetória de Lampião é retratada sem partidarismo e sem heroísmo. Não o retrata como uma figura louvável, muito menos como um ser deplorável. Apenas conta sua história e sua trajetória pelos sertões, com destaque para um homem mais maduro a partir de quando decide se embrenhar pelo interior da Bahia, ao lado da mulher que lhe acompanhou até o dia da morte.

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