Caetano Veloso e Maria Gadú: um show impressionante em que mestre e aprendiz estão encantados de estar juntos


Caetano é mesmo um dos gênios da MPB. Os improváveis leitores que eventualmente acompanhem esse Blog já sabem de minha profunda admiração por este gênero da música brasileira. Mas certamente muito poucos artistas podem receber a alcunha de gênios da MPB e Caetano é, de longe, um deles.

Quando soube, pela internet, que Caetano e Maria Gadú estavam fazendo uma turnê juntos, fique exasperado: o que Caetano estaria fazendo ao Lado de Maria Gadú no palco? O que ela teria para acrescentar ao gênio baiano? Como ele emprestaria sua reputação para uma menina de 23 anos que estava surgindo na música brasileira com uma melodia bonita e simples (Shimbalaeiê), mas que ainda não tinha nem um pouco mostrado a que tinha vindo?

Caetano havia feito recentemente uma pareceria linda em DVD com ninguém menos que Roberto Carlos (em show em homenagem a Tom Jobim). Além de toda sua belíssima trajetória de parcerias, das quais poderíamos destacar, só para constranger qualquer crítico, o par musical/compositor com Gilberto Gil e com o mais genial fazedor de músicas que a MPB já pariu, que é o Chico Buarque de Holanda.

Pois bem, eis que vejo nas telas da TV a propaganda do show que virou DVD entre Caetano e Gadú, e o disco, enfim, me chega às mãos.

Fiquei chocado com a beleza do show. Maria Gadú é realmente muito, muito talentosa. Aos poucos, depois de uma primeira musica juntos, Caetano a deixa só no palco e ela consegue ser uma grande artista, apenas com o violão e com a voz maravilhosa que Deus lhe deu, além de uma presença artística ímpar. Eu já tinha comprado, faz algum tempo, o DVD inicial de Maria Gadú e já era possível antever uma parte do seu talento (mesmo com algumas parcerias sem sentido ao longo daquele show).

Quando Caetano volta e ele fica sozinho no palco, a perfeição musical toma conta da tela. A forma precisa de tocar nas cordas do violão, e a facilidade com que Caetano faz o que naceu para fazer é mesmo de tirar o fôlego.

O DVD tem, ao longo de quase 30 canções, passagens belíssimas, como “Alegria Alegria” no violão e voz de Caetano, e “Shimbalaie” com Maria Gadú visivelmente emocionada ao ver o mestre Caetano cantando sua música mais conhecida.

Mas nada se compara ao que foi feito com a já belíssima, mas pouco conhecida do público jovem, “Rapte-me, Camaleoa”, de Caetano, tocada por Maria Gadú e cantada por ambos. A musica é belíssima e merece ser escutada por horas a fio, pela beleza reluzente da letra e da melodia.

Um senhor de 68 anos e uma garota de 23 juntos no palco é uma mistura improvável de dar certo. Maldosamente, alguns poderiam perguntar como tal parceria aconteceu se (aparentemente) não hove sexo entre eles? Caetano se revela como um condutor de Maria Gadú nas trilhas da MPB, e ela se deixa levar com uma humildade de aprendiz que quer (e vai) conquistar o mundo que ele, Caetano, já tem na palma da mão e nas cordas do violão.

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