Direito de Família para pessoas solteiras? As estatísticas demonstram o aumento do número de pessoas que fazem essa opção.

Zilda Brafman mora sozinha em Copacabana. Tem a ajuda quinzenal de um faxineiro e os livros são suas companhias. Comunista, batizou os filhos de Luiz e Carlos, em homenagem a Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. Dia 24 de outubro, Zilda completa 98 anos, 86 deles no Brasil. De família judia, veio da Polônia aos 12 anos. Ela é uma das 3,4 milhões de mulheres que moram sozinhas no Brasil. Há ainda outros 3,5 milhões de homens nesta situação e, juntos, representam 12,2% dos lares brasileiros em 2010 com apenas um morador, bem acima dos 8,6% de 2000.

Zilda teve dois filhos. Perdeu o mais novo, Carlos, para o câncer, quando ele tinha 36 anos. O nome dele percorre a conversa num amplo apartamento, decorado com as fotos da família que inclui quatro netos e sete bisnetos. Depois que enviuvou, fez trabalho voluntário. Hoje, as saídas de casa são para compras, pagar contas e visitar a família. Doenças, só a pressão alta e a dificuldade para dormir. Por elas, há os dois únicos remédios que toma diariamente.
— Meu filho cuida de tudo para mim. Sou muito agarrada com ele.
Mesmo com a independência pouco comum para seus 98 anos, Zilda diz que sente só.
— Fico recordando de tudo.
A novela a distrai e livros não faltam: parentes e amigos alimentam a variada biblioteca. Ela diz que está cansada de viver, mas a bisneta Ana, de 8 anos, logo rebate: “Vive vó, vive vó, para chegar aos cem anos”, conta.
Colchão, violão e berimbau
Já o ator Rafael Losso Alvares, de 31 anos, saiu há quatro meses do apartamento que dividia com dois amigos para viver sozinho, em busca de privacidade. Com o dinheiro curto, não pode equipar de vez o novo lar. Sua casa, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, tinha, há um mês, só geladeira e micro-ondas. Suas refeições eram pratos congelados e miojo. Na sala, a TV de 72 polegadas de LCD contrasta com o ambiente austero. No quarto, um colchão no chão, um violão e um berimbau:
— Fiz a opção de morar sozinho em vez de dividir com alguém um apartamento equipado.
Ele reforça a renda fazendo traduções. Sem cartão, apela à namorada, Daniela, para comprar coisas como máquina de lavar. Aos poucos, a casa começa a ficar completa, mas Daniela, que mora com amigas, prefere recebê-lo em casa a “ficar desconfortável” na casa dele.
Fonte: O Globo.

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