Isabela Boscov, a crítica que faz o cinema parecer simples


Um dos meus sonhos (dentre muitos) é criar um Blog sobre cinema, para fazer comentários de filmes e discutir idéias sobre a sétima arte! Infelizmente, o acesso aos lançamentos na região nordeste não é tão bom como deveria, e as obrigações e os compromissos do dia-a-dia não permitem tanto tempo em frente da telona (ou da telinha com DVD). Enfim, sempre que sombra um tempinho corro para os filmes, como terapia e instrução, e para as críticas de Isabela Boscov nas pagínas da Veja ou no videocast, para ir aprendendo sempre um pouco mias até o dia em que tenha condições mínimas de colocar no ar um blog sobre o assunto...

Bem, segue uma interessante intrevista com a Boscov, crítica de cinema da Revista Veja publicada no site http://www.facasper.com.br/noticias/index.php/1969/12/31/isabela-boscov-o-cinema-e-o-jornalismo,n=3951.html

Boa leitura a todos!!!
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Isabela Boscov, o cinema e o jornalismo

Semanalmente, as críticas de cinema de Isabela Boscov, presentes nas páginas da revista Veja, são lidas por milhares de pessoas. Os mais tecnológicos podem, ainda, conferir tais observações no videocast que ela mantém em sua coluna no site da publicação. Apesar de bem humorada, Isabela reconhece ser dona de uma personalidade forte e que insiste em seus objetivos. "Quando trabalhei em jornal, eu sempre propunha pautas que tinham alguma relação com cinema. Assim, aos poucos, fui mostrando a variedade e a importância do tema", conta. Para Boscov "quem lê uma revista de atualidades é uma pessoa que quer se sentir ao corrente do mundo em que ela vive. Ela quer compreender o momento em que vive, assim como seu país e seu mundo".

Formada há 25 anos em Rádio e Televisão pela Universidade de São Paulo, ela hoje é editora da seção Arte & Espetáculo da revista Veja. Com passagens pela BBC, Jornal da Tarde, Folha de S.Paulo e revista SET, Isabela destaca a importância de estar em uma redação e aprender a fazer jornalismo na prática. "Aconselho a todos cobrir uma área que lhe é totalmente diferente, mas que tenha alguma afinidade. É a melhor maneira de aprender jornalismo", relata ela que trabalhou no caderno Ciência da Folha. Uma experiência útil para ensinar "a ser bem humilde e assumir que você não está entendendo nada", acredita. Ao longo da carreira, Isabela já trabalhou em todas as áreas dentro de uma redação: repórter, revisora, fechadora, editora-assitente, editora-adjunto e, finalmente, editora-chefe.

Se antes ela cabulava aula no colégio para ver os filmes dos cinemas da região da Avenida Paulista, hoje, devido à profissão, ela vê, em média, de oito a dez filmes por semana. Isabela vive em Nova Iorque para facilitar o acesso aos filmes a serem lançados, premières e contato com este universo tão vasto e rico nos Estados Unidos. Experiente, a jornalista já entrevistou celebridades como Steven Spielberg, Harrison Ford, Mickey Rourke e Clint Eastwood. Para ela, a paixão pela sétima arte foi despertada quando assistiu ao filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, quando tinha 13 anos, no cine Comodoro, na região central paulistana. "Era a maior tela da América Latina. E a partir de então eu tive certeza de que era aquilo que eu queria".

De volta dos Estados Unidos para reuniões sobre a revista, ela nos concedeu uma entrevista. Confira a seguir o que Isabela nos conta sobre a carreira, a crítica cinematográfica e muito mais.

Como foi o início da sua carreira como crítica de cinema na Veja?
Eu sou super teimosa. Raramente bato de frente, só quando precisa, mas normalmente o que faço é vencer as pessoas pelo cansaço. O fato é que a Veja nunca tinha tido um crítico de cinema, alguém que realmente cobrisse a área como prioridade, que tivesse tal incumbência. Todo mundo escrevia crítica, fazia um pouco de música e de TV. Acho que com a minha teimosia acabei ajudando... E o fato é que eu forcei a barra para fazer só cinema, cinema, cinema. Só propunha pauta de cinema e, se me passavam outra, eu dava um jeito de dizer "eu faço essa também, mas tem uma de cinema essa semana".

A Veja é considerada uma das maiores revistas do mundo em termos de tiragem. Como é a sua relação, como crítica, com um público tão grande e vasto?
A Veja tem um leitorado - o número de pessoas que lêem a revista semanalmente, mas não a compram - de mais ou menos 8 milhões de pessoas por semana. Esse é um universo incrivelmente abrangente. E eu diria que a maior parte do público que compra a revista não é por causa de Artes e Espetáculos. Essa é uma seção necessária, estratégica, mas eu diria que é óbvio que a maior parte dos leitores tem interesse nos assuntos gerais em que a cobertura da Veja é imbatível. Então, você tem que aprender a conversar com gente que não estava nem um pouco interessada. Não é nem fazer com que mais pessoas que gostem de cinema comprem uma revista de cinema. É fazer com que tenham algum interesse em artes plásticas ou em televisão, ou cinema ou literatura, que leiam sobre esses assuntos. Você tem que ganhar o cara toda semana, matéria a matéria. A minha preocupação não era só tornar minha formação de cinema sólida, mas era também nunca perder de vista que você tem que falar com muita gente. Você não pode cuidar só de cinema, você tem que saber e cuidar de tudo. A minha maior preocupação é fazer parte do mundo e não perder contato com ele. Não ficar aquele diálogo com o próprio umbigo, com os outros críticos, com o pessoal que compra tudo que sai sobre cinema mesmo.

Quais são suas preocupações ao escrever para o leitor da Veja, então?
Não é um texto para um leitor especializado. Então, primeiro a contextualização. Porque o fato de uma pessoa não dividir a mesma informação, o mesmo repertório que você, não a torna menos inteligente, interessada ou curiosa. Ela é um leitor tão bom quanto qualquer outro. Você também não quer fazer com que essa pessoa se sinta idiota, na maneira que você explica as coisas, simplesmente porque ela não sabe quem são os irmãos Dardenne, por exemplo. Não há problema nenhum em não saber, por isso, tudo deve ser contextualizado. O texto tem que ser elegante, agradável, claro e bem estruturado; o uso do vocabulário tem que ser preciso e perfeitamente adequado, mas pode-se levar ao refinamento. É possível usar uma palavra que não seja tão comum. Você sempre pode juntar informações de uma maneira que os jornais não fariam, porque eles basicamente cobrem agenda, que é o espaço para reflexão neles. Juntar vários elementos de maneira surpreendente, não é a arena principal do jornal, mas da revista. Tudo tem que está explicado, mas é preciso tratar com respeito o leitor -respeito intelectual, inclusive. E, ao mesmo tempo, sempre tentar ir um ponto adiante.

Como você vê a crítica atual?
Há críticos excelentes. Tem gente e veículos fazendo um trabalho muito bom, mas acho que, no geral, é uma crítica extremamente viciada: pra um lado ou pro outro. O primeiro vício é que não há como prever o gosto do público. Por exemplo, afirmar que quem gostou de Shrek vai gostar de Como treinar o seu dragão. Não há nenhuma relação para tal se afirmar isto, nem mesmo o fato de ser um desenho. A facilitação estúpida de dizer que um filme é legal ou não, sucesso de bilheteria americana, um sucesso ou uma chatice é mera conversa de bar. Isso não é uma crítica.

Paralelamente a esse vício, existe o que é quase uma necessidade do mercado, mas que eu, particularmente, acho pavoroso, que é a cotação. É aquela estrelinha ou nota na qual se atribui a qualidade do filme. Se for usar isto, então não há porque escrever um texto. Se você não tem nenhum raciocínio ou reflexão a oferecer sobre aquilo, ok, então, coloca ali uma estrela. Se você tem, então você está perdendo o seu tempo em juntar ao final daquilo uma nota. Detesto a nota.

Um outro vício: você achar que está num debate intelectual com o leitor. Obviamente, será apenas um leitor a cada cem em que isso vai acontecer, satisfazendo a vaidade de quem escreveu. Isso faz os outros críticos lerem o seu texto e dizerem "nossa, olha, como ela domina essa teoria, esses fundamentos". Não é o objetivo da crítica.

Qual a sua relação com os outros críticos?
Críticos, às vezes, se provocam entre si, por intermédio das prórpias críticas, o que eu acho um péssimo hábito. O leitor não tem nada a ver com aquilo. Durante muito tempo rolaram tentativas de provocação. Então, toda semana tinha uma pessoa que escrevia, o que obviamente eram iscas para tentar me engajar num debate. Sempre ignorei solenemente. Para isso existem debates em eventos culturais, o café na saída da cabine, a troca de e-mails, telefonema. Tem mil maneiras de você ter esse diálogo. Ou você pode pegar um ponto que foi levantado por um outro crítico e discutir ele na sua crítica. É possível até dizer que estou discutindo um ponto que foi levantado por determinando critico, em jornal ou revista, e explicar porquê discorda de tal ponto de vista. Agora, cotoveladas em textos eu acho desrespeitoso com o leitor. Mas tem muita conversa entre críticos, às vezes, bem humorada, elegante, que não interfere em nada na comunicação com o leitor. Tenho ótimos amigos. A gente pode discordar frontalmente e não tem o menor problema. Tenho muitos amigos em cabine - mesmo, é super gostoso. Você chega e fala-se de tudo, não só de cinema, felizmente.

O que determina se o próximo filme vai ser pautado na Veja?
Primeiro ponto é ver se ele rende assunto e se dele dá para puxar algum ponto interessante para ser abordado. Não nos orientamos por mercado e bilheteria. Fúria de Titãs, por exemplo, foi uma estréia enorme, mas, ao meu ver, não apresenta nada que valha uma página da Veja - que é uma coisa valiosa. Outro ponto a se considerar é a expectativa do leitor. Um exemplo é o filme Exterminador do Futuro, A Salvação. Na minha opinião, é um filme fraco em vários sentidos. Ele tem algumas coisas interessantes, mas é o tipo de filme que eu poderia ter comentado só no meu videocast. Contudo, há a expectativa do leitor para que ele seja comentado, pois os dois primeiros filmes foram muito bem aceitos pelo público; o terceiro foi uma bomba. Então, o leitor quer saber se o quarto filme, que tem a produção mais luxuosa e a atuação do Christian Bale, vale a pena, se estragaram uma coisa de que ele gostava.

Então, as grandes estréias têm mesmo preferência?
Este tipo de expectativa é outra historia. Às vezes é um lançamento é pequeno, mas a gente dá a ele muito espaço, como o filme polonês Katyn, de Andrzej Wajda. Entrou em cartaz em poucos cinemas - dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e outro em Porto Alegre. Foi um lançamento bem limitado, mas demos quatro páginas pro filme. O critério é: vai ser interessante pro leitor? Mas há todas as variáveis, a maneira de interpretar o que é interessante ou não pro leitor, o que é, obviamente, julgado em cada pauta.

Como é entrevistar personalidades famosas de Hollywood, como Steven Spielberg?
Por temperamento, eu nunca fui uma pessoa de ficar suspirando "ai meu Deus". Mas até hoje tem uma pessoa com quem eu fiquei o tempo todo pensando "eu não acredito que eu tô aqui, isso é bom demais". Foi o Clint Eastwood. Eu fiquei as três horas que eu passei conversando com ele pensando "estou falando com o Clint Eastwood". Com o Spielberg também foi uma conversa deliciosa, a gente tinha mil coisas em comum: "Ai, você notou isso? Ai, que legal; adoro quando as pessoas notam porquê sou super fã desse filme, ai, eu também acho um máximo". Não é uma pessoa maior que você e isso é ótimo. Significa que vocês podem conversar de igual pra igual.

Normalmente algumas pessoas são realmente, extremamente interessantes, muito mais que a média das pessoas e eu diria que o Clint Eastwood é uma dessas. Um monumento, né? Não é só um cara. Eu sempre tento fazer a melhor entrevista possível, o que significa uma pré-apuração muito extensa, você se informar sobre a pessoa, ler muitas entrevistas que foram feitas ao longo dos anos. Quanto mais você consegue tirar uma pessoa da monotonia de dar entrevista - para essas pessoas é um ambiente monótono, elas dão 200 entrevistas por ano e o tempo todo elas ouvem as mesmas perguntas - quanto mais você conseguir chacoalhar a pessoa e fazer uma pergunta que não estivesse no programa, melhor vai ser o seu resultado.

O que você acha da formação em jornalismo?
Jornalismo é uma questão de feeling: você tem que estar todo dia ali, em a. Espero que o fim da obrigatoriedade do diploma ajude a corrigir essa discrepância [entre mercado e meio acadêmico], que você não tenha mais que ensinar "o que é...?", mas que você procure dar essa formação mais abrangente de que o jornalista precisa no dia a dia dele. Existe uma defasagem muito grande, uma distância. Às vezes o professor saiu da redação há muito tempo e perdeu o feeling. A formação é o patrimônio que vocês trazem com vocês, é o que tornam vocês diferentes de todo mundo. É impossível exagerar quanto à importância que ela vai ter na vida profissional, na vida de vocês. Pode ser que nem todo mundo perceba a diferença que isso está fazendo, mas sempre vai haver um ou outro bom editor que vai notar e falar "espere, essa aqui eu não vou deixar passar". A gente precisa de muita sorte na vida, mas um empurrãozinho ajuda também!

Os girassóis: um romance sobre Vincet Van Gogh

Com enorme prazer li o livro “Os Girassóis: um romance sobre Vincent Van Gogh”, de Sheramy Bundrick, historiadora e professora (Phd) de história da arte da Universidade South Florida St. Petersburg que encontrei meio que por acaso na livraria do aeroporto do Recife enquanto aguardava um vôo para Petrolina-PE/Juazerio-BA nas minhas férias do meio ano passado. Passados quase seis meses, apenas nas férias de final de ano pude folhear o livro que li em poucos dias!

Já tenho uma admiração antiga por Vincent Van Gogh, considerado por muitos o maior pintor de todos os tempos. Durante a faculdade, li “A vida trágica de Van Gogh” de Irving Stone, bem como “Cartas para Théo” (volume de cartas deixadas por Van Gogh para sue irmão e financiador Theo Van Gogh), da biblioteca me meu tio João Damasco.

A obra de Van Gogh é absolutamente interessante e eu, certamente, não tenho conhecimentos técnicos para comentá-la, e, por essa mesma razão, limito-me a atestar a absoluta genialidade de suas pinturas e como suas obras me tocam profundamente.

O livro acima foi criado a partir de uma escolha extremamente feliz da autora. Ela decidiu romancear a vida de Van Gogh durate sua fase mais profícua. Trata-se do período em que o pintor se muda de Paris para o sul da França (inicialmente em Arles), para produzir sob a luz do sol daquela região, e também para fugir da vida atormentada de Paris.

O livro é narrado por Rachel, a famosa prostituta sobre a qual existe um único relato, um brevíssimo comentário num jornal da época: foi para ela que Van Gogh deu sua orelha cortada como presente numa noite de natal, nos idos de 1888, em um cabaré na periferia de Arles. Paradoxalmente, essa imagem da orelha cortada é a mais difundida sobre Van Gogh, e Sheramy Bundrick consegue, a partir desse fato histórico, contextualizar todo o período criativo do pintor até sua morte. A novela é belíssima e merece ser lida pelo diagnóstico que faz da tragetória de Van Gogh na fase em que pintou obras primas como a sequencia de telas sobre “Girassóis” ou o “Café na Cidade de Arles”, obras perfeitas, dignas de um legítimo gênio.

Van Gogh era um homem absolutamente atormentado. Foi internado várias vezes em manicômios e era excluído muitas vezes do convívio social. Hoje vários teóricos ao redor do mundo tentam entender seu comportamento alucinado, bem como procura-se desvendar o brilhantismo inconfundível de seu trabalho

Denota-se ainda, no livro, a influência da cor amarela, da luz e da vivacidade na obra de Van Gogh. Por outro lado, narra também uma bela (embora triste) história de amor entre um homem e uma mulher que, se não houver existido exatamente como a autora descreve, bem que poderia ter sido real, pela beleza da descrição e pela sinceridade do afeto entre ambos. Para os que ainda não conhecem a obra desse gênio da pintura, este livro é uma agradável maneira de se iniciar no mundo de Van gogh.

Antônio Gramsci, o ridículo!!!

De férias, perambulando pela internet, infelizmente encontrei um site de amantes da obra de Antônio Gramsci , admiradores anacrônicos de uma construção de mundo que não vingou! Lembrei-me, com certa dose de tristeza, da bobagem acadêmica que fui obrigado a escutar umas tantas vezes nas aulas do Mestrado em Direito da UFPB por colegas que tinham ficado perdidos na época da “pedra lascada”, e insistiam em fazer abordagens gramscianas. Um tédio acadêmico, assim como quase tudo na academia é tedioso.

Bem, de volta aos admiradores de Antônio Gramsci, urge lembrar que o dito doutrinador comunista italiano preconizava a superação do senso comum pela manipulação constante e paulatina da opinião pública em prol do movimento comunista. Dito de outra forma, ele defendia uma letargia intelectual e moral progressiva, massificada e destituída do senso crítico. Essa epopéia pseudo-intelectual era contrária à revolução armada ocorrida na Rússia comunista, e planejava atingir o poder aos poucos, lentamente, abarcando diversos setores do Estado, até chegar ao poder definitivo. Claro que a idéia é contra o sistema democrático, pois viola a discussão geral e a noção crítica de certos setores da sociedade e serve como mecanismo de aplicação do pensamento proletário. Alguma relação coincidente com o Brasil do PT e de Lula???

Por sinal, a política externa do Brasil nos últimos 08 anos foi pautada nesse ideal, e é mundialmente reprovada. Foi recentemente chamada de "Política megalomaníaca do G-Nada"! (Lembrem-se do “Foro de São Paulo”, de Hugo Chavez e de Fidel Castro, etc...)

Felizmente, Gramsci é um derrotado! Derrotado por idéias absurdas que restaram comprovadamente infrutíferas ao longo do tempo, derrotado pelo pensamento ultrapassado, derrotado pela contínua vitória do capitalismo, derrotado pelo necessidade ridícula de impor o pensamento comunista sem criticar seu cerne. Sempre que os comunistas conseguiram o poder, eles impuseram ditaduras caquéticas e vergonhosas. Gramsci perdeu! Falta apenas alguém avisar aos gramscianos de plantão que eles precisam de um novo ícone para seguir....