Infidelidade matrimonial e variação de rendas: o homem que ganha menos que a mulher tende a trair até cinco vezes mais

O sucesso feminino no mercado de trabalho pode colocar em xeque a fidelidade masculina. Pelo menos é o que afirma a socióloga Christin Munsch, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa apresentada por ela na Associação de Sociologia Americana, homens que ganham menos do que suas mulheres são cinco vezes mais propensos a cometer adultério.

A lógica é simples: ao ganhar menos, o homem deixa de ser o provedor da família. Assim, sua masculinidade vai para o ralo e ele se sente impotente. A saída, então, seria comprovar sua virilidade. “Na sociedade americana, a masculinidade é também definida naquele homem viril, que tem diversas parceiras sexuais”, explica Christin. Ironicamente, no entanto, quando o homem ganha muito mais do que sua mulher, ele também tende a trair. O motivo? “Esses homens ficam mais tempo no trabalho e têm mais oportunidades, além de ser um gasto que ele pode bancar e esconder”, diz.

Mas existem algumas variáveis importantes. Quando idade, nível de educação, crença religiosa e satisfação no relacionamento são levados em consideração, a relação entre o salário e a infidelidade desapareceram. Alguns homens podem trair ainda apenas porque estão infelizes, e não pelo salário baixo. Já para a mulher, receber menos do que o marido faz parte de seu status quo. “Para ela, não é vantajoso trair. Se ela for pega, sua qualidade de vida estará em risco”, completa a socióloga.

Há alguns anos a psicologia e a sociologia estudam a monogamia e seus diversos aspectos no emaranhado cultural do Ocidente. Alguns defendem que ela não passa de uma convenção cultural, outros, uma posição religiosa pré-estabelecida. De acordo com Rosa Maria Macedo, terapeuta de casal e coordenadora do Núcleo de Família e Comunidade do Programa de Psicologia da PUC – SP, o homem ocidental é educado para a conquista, para se firmar na sociedade pelo seu lado viril e sexual. “Sexo é um dos primeiros assuntos que surgem em uma roda de amigos”, comenta. E isso acaba fazendo do ato sexual uma convenção, e, por que não, um esporte, a ser seguido. “Na grande maioria das vezes, o adultério não passa de uma aventura, que pode surgir da crença de que o macho tem o direito de conquistar a mulher considerada fácil.”

Segundo Rosa, dezenas de pesquisas realizadas nas últimas décadas mostram que o homem faz uma distinção clara entre sexo e amor. Mas a traição pode ainda ser um mero mecanismo de defesa masculina para se valorizar. “A dupla moral permitiu ao homem levar uma vida fora de casa. Para a maioria deles, é quase uma rotina, eles não se sentem culpados.”

E os homens traem ao longo dos séculos por motivos os mais variados. Em seu livro Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade, a psicóloga Ana Maria Fonseca Zampieri enumera uma dezena delas. Eles podem acontecer nos dois primeiros anos do casamento. “Talvez em função do chamado luto da paixão. É mais comum entre os homens”, relata. Ou depois de décadas de união, por conta da rotina, do fim do amor ou do distanciamento afetivo.

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